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Espíritos Zombeteiros, parte 2

 

Comentário:

 

Não há muito a acrescentar sobre esse episódio que já não tenha sido dito na parte 1. Esse é sem duvida um dos melhores episódios de Chaves. Só pela cena da seção espírita ele já estaria entre os melhores de todos os tempos, porem ele ainda tem outras cenas memoráveis, como a cena da "Chorona", que o abrilhantam ainda mais. A única coisa que deixa a desejar pra mim é o final, que não condiz com um episódio tão bom.

 

Nesse episódio aparece um cenário que jamais voltaria a aparecer: a cozinha da casa do Seu madruga, onde Quico se esconde durante a sessão espírita.

 

Como curiosidade, a história desse episódio se passa exatamente uma semana após ter acabado o primeiro. Durante esse período de uma semana apareceu um prato por dia no barril do Chaves.

 

O episódio ficou um pouco datado como se pode notar pelos atores citados numa determinada conversa entre Chaves e Quico. Lembre-se que a dublagem é dos anos 80. Pra quem não sabe Zezé Macedo é a Dona Bela da escolinha do Professor Raimundo. 

 

 

Roteiro:

 

Cena 1

 

O episódio começa com mais uma cena de sonambulismo do Seu Madruga nos mesmos moldes do episódio anterior. Ele deixa mais um prato no barril.

 

 

Cena 2

 

É dia. Chaves e Quico conversam no pátio da vila.

 

Quico: Outro prato?

Chaves: Pois é... Desde a semana passada tem aparecido um prato por dia no meu barril.

Quico: Mas por que você rouba eles?

Chaves: Quem disse que eu roubo? Eu lá tenho cara de roubão?

Quico: Bom, não tem mas...

Chaves: Eu vou te avisar uma coisa, Quico. Da próxima vez que você me chamar de roubão eu arrebento sua fuça.

Quico: Eu não disse que você rouba de propósito.

Chaves: Como então?

Quico: Você é sonâmbulo.

Chaves: Eu não sou sonâmbulo.

Quico: Como não? Na semana passada você estava sonâmbulo e roubou o pão da minha casa.

Chaves: Pra você ver que eu não tava sonâmbulo.

Quico: Então?

Chaves: Estava me fazendo.

Quico: Que porquice.

Chaves (se exaltando): Eu tava me fazendo que eu estava sonâmbulo, mas eu não tava.

Quico: Estava bem acordado quando levou o pão da minha casa?

Chaves: Pois é. Ainda mais que...(Quico olha bravo). Bom eu não roubei o pão, eu apenas comi ele e...

 

Quico resmunga.

 

Chaves: Além disso, eu não estou roubando os pratos, pois eu estou guardando todos os pratos que aparecem aqui para que quando apareça o dono eu possa devolver pra ele. E esse aqui eu também vou devolver.

 

Chaves sai andando e vai para o outro pátio. Dona Clotilde sai de sua casa cantando: “Eu fui da mamãe”.

 

Bruxa do 71: Ai, como essa música me cai como uma luva!

 

Ela coloca alpiste dentro de uma gaiola vazia e o Quico olha espantado.

 

Quico: É um passarinho invisível?

Bruxa do 71: Não.

Quico: Então porque você ta colocando alpiste?

Bruxa do 71: Para que o primeiro idiota me faça essa pergunta.

Quico: E eu tirei o primeiro lugar.

Bruxa do 71: Isso sem dúvida nenhuma.

Quico: Quico! Quico! Rá! Rá! Rá!

 

Quico vai para sua casa todo feliz. Dona Clotilde continua colocando alpiste na gaiola e cantando a música. Seu Madruga sai de sua casa.

 

Bruxa do 71: Bom dia, Seu Madruga.

Seu Madruga: Bom dia.

Bruxa do 71: Quais são as novas?

Seu Madruga: Nenhuma. Só que continuam sumindo pratos da minha casa.

Bruxa do 71: Sim? Pois olhe que a Dona Florinda me contou que outro dia o Chaves do 8 entrou na casa dela  como sonâmbulo  e roubou o pão.

Seu Madruga: Então a senhora acha que o Chaves...

Bruxa do 71: Sonambulismo tem suas coisas, Seu Madruga. Olhe, há ocasiões em que me levanto assim, como se procurasse alguma coisa que tenha... Ai, como posso dizer?

Seu Madruga: Procurando alguma coisa que tenha calças.

 

Dona Clotilde olha brava.

 

Seu Madruga: Não, não. Claro que não. Me desculpa, me desculpa. Mas e daí?

Bruxa do 71: Uma coisa que tenha, tenha... Ah, sim. Isso mesmo. Uma coisa que tenha penas. (Nesse exato momento Quico sai de sua casa e começa a escutar a conversa).

Seu Madruga: Uma vassoura?

Bruxa do 71 (furiosa): Com licença.

 

Ela entra pra dentro de sua casa e Quico se aproxima do Seu Madruga.

 

Quico: Não, seu Madruga, o que ela procura é o canarinho de peito amarelo que tava na gaiola.

Seu Madruga: Ah é? Não me diga.

Quico: Mas ela nunca mais vai voltar.

Seu Madruga: E como sabe?

 

Quico mostra um estilingue pra o Seu Madruga que faz cara de reprovação e sai da vila.

 

Quico: Minha pontaria nunca falha.

 

Chaves entra na vila e Quico o leva para um canto.

 

Quico: Agora.

Chaves: agora o que?

 

Quico o leva para um outro canto.

 

Quico: Vamos investigar o misterioso caso dos pratos que aparecem no barril.

Chaves: Como?

 

Quico o leva para um outro canto.

 

Quico: Eu não sei.

Chaves: Então?

 

Quico o leva para um outro canto.

 

Quico: Quando todos estiverem dormindo a gente vem aqui pro pátio e fica escondido.

Chaves: Então a gente vai ver quem põe os pratos dentro do barril.

Quico: Isso mesmo.

Chaves: Mas não vamos dizer pra ninguém.

Quico: Claro que não.

Chaves: Por que se a gente diz, não vão mais colocar pratos no barril.

Quico: Não.

Chaves: por isso não podemos dizer a ninguém.

Quico: Não.

Chaves: Para que ninguém saiba porque...

Quico: Cale-se. Cale-se. Que você me deixa louco.

Chaves: Ninguém tem paciência comigo.

Quico: Bom a gente se vê aqui hoje a noite. A que horas você vai chegar?

Chaves: Na hora que der na minha telha.

Quico: Mas nem um minuto mais tarde, hein.

 

 

 

 

 Cena 3

           

É noite e Chaves está chegando no pátio. Ele pára na frente da casa do Quico e assobia três vezes. Quico sai de sua casa imitando um sonâmbulo e vai para o meio do pátio.

 

Chaves: Você é sonâmbulo, Quico?

Quico: Claro que não. (e abandona o disfarce).

Chaves: Então porque você esta andando assim (imita um sonâmbulo) do jeito que sua mãe falou que andam os sonâmbulos.

Quico: É que eu tava vendo na televisão um filme de fantasmas que também caminham assim. Você gosta dos filmes de fantasma?

Chaves: O que eu gosto mesmo é de sanduíche de presunto.

Quico: Estou falando dos filmes que passam na televisão.

Chaves: Ah bom. Se é assim, sim.

Quico: Então...no fim do filme  os mortos caminham.

Chaves: Em todo filme de televisão tem mortos que caminham porque os filmes são tão velhos que todos os atores já morreram.

Quico: Eu não to falando desses. Eu to falando dos filmes de mortos em que aparecem aqueles monstros feios como o lobisomem, o Frankeinstein, o Pedro de Lara, o Zé do caixão. Eles não te dão medo?

Chaves: Não. Pra mim o que da medo é a Chorona.

Quico: A Lucélia Santos?

Chaves: Não, a que ta sempre gritando.

Quico: A Zezé Macedo?

Chaves: Pior.

Quico: O Costinha? Ari Toledo? Não deu.

Chaves: Ela sempre sai andando assim (e começa a imitar a chorona), e gritando: “Onde estão meus filhos?”.

Quico: Cala essa boca (diz Quico imitando a voz da Chorona).

Chaves: Você sabe como é?

Quico: Sei. Mas ela te dá medo?

Chaves: É claro que dá. Só de pensar nela me tremem os cabelos e me arrepiam todos os joelhos, os três... E você não tem medo?

Quico: Claro que não (nesse instante Dona Clotilde sonâmbula sai de sua casa de camisola branca e touca e se aproxima dos garotos sem ser notada).

Chaves: Eu queria ver se ela aparecesse agora caminhando com os braços esticados como se quisesse agarrar a gente, e o seu camisolão branco....

 

Enquanto Chaves fala, Quico nota a presença de Dona Clotilde e começa a passar mal pois a confunde com a Chorona.

 

Chaves: Por que você ta com essa cara de peixe morto? Parece que viu assombração (Chaves vira, da de cara com Dona Clotilde e tem um piripaque).

Quico: Mamãe

 

Seu Madruga sai de sua casa.

 

Seu Madruga: O que você tem Quico?

Quico: A Chorona (aponta para bruxa)

Seu Madruga: Que Chorona coisa nenhuma... (ele se vira para a Dona Clotilde e leva o maior susto). Não é a chorona, é a Dona Clotilde que está sonâmbula, temos que tomar cuidado pois é muito perigoso acordar as pessoas nesse estado.

 

A Bruxa do 71 se aproxima do Seu Madruga e o abraça.

 

Bruxa do 71: Você voltou, meu amor, canarinho do peito amarelo.

Seu Madruga: Dona Clotilde, por aqui, por aqui.

 

Seu Madruga vagarosamente vai conduzindo Dona Clotilde até a casa dela quando esbarra em Chaves.

 

Seu Madruga: O que ele tem?

Quico: Ele se assustou com a Chorona e ficou paralisado.

Seu Madruga: Joga água na cara dele , só assim ele volta a si.

Quico: É verdade.

 

Enquanto Quico vai buscar água, Seu Madruga acaba de levar a Bruxa para casa dela e retorna para o pátio no instante em que Quico desperta Chaves. Seu Madruga ocupa o mesmo lugar onde antes estava a Chorona.

 

Chaves: Olha Quico, nasceram bigodes na Chorona.

Quico: Não é a Chorona, é a múmia seca.

Seu Madruga: Eu sou o que?

Quico: O esqueleto vingador? O Silvio Santos (enquanto Quico fala Seu Madruga se contorce de raiva)? O Chapolin Colorado? O Jô Soares? Não deu.

 

Seu Madruga belisca Quico.

 

Quico: Mamãe.

Seu Madruga: O que acontece é que vocês confundiram a dona Clotilde com a Chorona. Não sabem que é perigoso acordar senhoras assim.

Chaves: Era a Bruxa do 71?

Seu Madruga: Mas não chame ela de Bruxa. Ela pode acordar e eu já falei que não se deve acordar pessoas nesse estado (Dona Florinda, também sonâmbula, sai de sua casa com a mesma toca e a mesma camisola da Dona Clotilde e se aproxima se ser notada). Alem disso a Chorona não existe e...

Dona Florinda (com voz arrastada): Onde estará meu filho?

 

Seu Madruga leva o maior susto.

 

Quico: Mãezinha, o Seu Madruga me beliscou bem forte.

 

Dona Florinda da uma bofetada em seu Madruga e depois diz com a mesma voz arrastada.

 

Dona Florinda: Venha Quico, não se misture com essa gentalha.

Quico (imitando a voz arrastada da mãe): Gentalha! Gentalha! Gentalha! (e volta pra sua casa)

Dona Florinda: E da próxima vez divirta-se beliscando sua vovozinha. (ela também volta pra casa deixando Seu Madruga morrendo de raiva).

Seu Madruga: Sorte dela que ela ta sonâmbula.

Chaves: Seu Madruga, o senhor se diverte quando belisca sua vovozinha?

 

Seu Madruga vai bater em Chaves mas ele se finge de sonâmbulo e sai andando.

 

  

 

 

Cena 4

 

Seu Madruga e Dona Clotilde estão conversando na sala da casa do Seu Madruga. Ela está colocando açúcar dentro de uma xícara para ele.

 

Bruxa do 71: Está boa essa quantidade de açúcar?

Seu Madruga: Acho que sim, Dona Clotilde. Muitíssimo obrigado. Realmente eu não sei como poderia lhe pagar isso (Dona Clotilde faz cara de esperançosa). Não responda, não responda.

Bruxa do 71: Isso são coisas que estão me sobrando. Onde eu coloco a farinha?

Seu Madruga: Farinha? Deixa eu ver... Sabe o que é, esta noite desapareceu o ultimo prato que eu tinha.

Bruxa do 71: Sim. O mistério dos pratos que desaparecem.

Seu Madruga: É. É um mistério.

Bruxa do 71: Espíritos Zombeteiros.

Seu Madruga: Que?

Bruxa do 71: Esses pratos foram levados pelos espíritos zombeteiros que moram dentro dessa casa.

Seu Madruga: Ora, ora. A senhora não esta falando sério, não é?

Bruxa do 71: Eu to falando tão sério que esta noite mesmo realizaremos aqui uma seção espírita.

Seu Madruga: Olha, esta é a minha casa e eu não quero.

Bruxa do 71: Não se preocupe. Cá entre nós, eu tenho faculdades mediúnicas.

Seu Madruga: Bom, eu não duvido. Mas cá entre nós eu realmente não gostaria.

Bruxa do 71: Bem, eu vou deixar a farinha para que o senhor pegue o quanto quiser. Nos vemos a meia noite.

 

Ela se levanta e sai cantando “Eu fui da Mamãe”.

 

Seu Madruga (quando a bruxa já saiu): Dona Clo... (chamando-a como se tivesse esquecido algo).

 

Do lado de fora Quico e Chaves estão cabisbaixos. Dona Clotilde se aproxima e pergunta:

 

Bruxa do 71: O que foi?

Quico: Nós queremos nos desculpar por ontem a noite.

Bruxa do 71: Ontem à noite?

Quico: A gente jura que não conta pra ninguém que a senhora parece a Chorona.

Chaves: E também não vamos dizer que a senhora esteve abraçando.

 

Seu Madruga aparece na porta de sua casa e fica fazendo sinais para o Chaves não falar.

 

Bruxa do 71: Quem eu estive o que?

Chaves: Abraçando. Não se lembra quem estava abraçando ontem a noite?

Bruxa do 71: Bom, agora que você falou eu sonhei que abraçava um cãozinho vira-lata fedido (Seu Madruga ainda na porta faz cara de contrariado). Mas Chaves, como você sabe?

Seu Madruga (se intrometendo): Vamos, deixem de amolar a dona Clotilde.

Bruxa do 71: Bom, obrigada. Até a noite Seu madruga (e entra em sua casa cantando).

Seu Madruga: Francamente. Francamente. Só não te dou outra. Não sabem que à noite ela estava sonâmbula e os sonâmbulos não sabem o que fazem.

Chaves: Os sonâmbulos não sabem o que fazem?

Seu Madruga: Claro que não.

Chaves: Então os árbitros de futebol também são sonâmbulos.

Seu Madruga (irônico): Com uma ou outra rara exceção (e entra em sua casa).

Chaves: Quico, você é sonâmbulo?

Quico: Claro que não, eu fiz a prova.

Chaves: Como?

Quico: Fingindo que eu estou dormindo.

Chaves: A bom, se é assim sim... Sabe Quico, continuam aparecendo pratos no meu barril.

Quico: Então teremos que voltar aqui hoje a noite.

Chaves: Não.

Quico: Que é? Tem medo?

Chaves: Não é isso...

Quico: Então fica quieto. Nos vemos aqui esta noite.

 

 

Cena 5

 

Começa com mais uma cena de sonambulismo do Seu Madruga. Porem essa é um pouco diferente. Como não restam mais pratos em sua casa Seu Madruga pega seu chapéu e o enche de farinha que a Dona Clotilde tinha deixado em cima da mesa. Depois ele coloca o chapéu no barril e volta a dormir.

 

Chaves aparece no pátio e vai chamar o Quico com um assobio. Quico vai pra fora e responde com outro assobio. Chaves por sua vez responde com outro assobio (é uma espécie de código).

 

Quico: Apareceram mais pratos dentro do barril?

Chaves: Não sei. Eu ainda não vi.

Quico: Então vai ver. Vai ver.

 

Chaves vai até o barril, olha dentro e encontra o chapéu cheio de farinha.

 

Chaves: Não apareceram mais pratos, mas apareceu isto (e mostra o chapéu).

Quico: Esse não é o chapéu do Seu Madruga?

Chaves: Acho que é. Tem farinha.

Quico: Chaves. Não será mais uma bruxaria da Bruxa do 71?

Chaves: Nossa. É melhor a gente levar o Seu Madruga pra casa.

Quico: Sim, Chaves.

 

Os dois entram na casa do Seu Madruga e nem percebem que ele esta dormindo no sofá. Deixam o chapéu em cima de uma cômoda, mas quando vão sair da casa dão de cara com a bruxa do 71 que está no pátio. Os dois entram de volta e vão se esconder. Quico vai para cozinha. Chaves vai para debaixo da mesa. Seu Madruga desperta.

 

No pátio Dona Clotilde se encontra com Dona Florinda que acabou de sair.

 

Bruxa do 71: Já estava achando que você não viria.

Dona Florinda: Eu só vim por curiosidade, é claro.

 

Enquanto as duas conversam o Seu Madruga aparece.

 

Seu Madruga: Pois não?

Bruxa do 71: Como combinado viemos realizar a seção de espiritismo.

Seu Madruga: Bem, eu estive pensando...

 

Enquanto ele fala as duas entram e o deixam falando sozinho. Quando ele vai entrar dá de cara com a porta que elas acabaram de fechar.

 

 

Cena 6

 

Começa a sessão espírita. As crianças continuam escondidas. Toca uma música sinistra. Dona Clotilde, Dona Florinda e Seu Madruga estão sentados na mesa da sala.

 

 

Seu Madruga (assustado): Quero dizer que... Francamente, eu não acredito nisso.

Bruxa do 71: Foi isso mesmo que uma amiga me disse uma vez. E você não sabe o que ela fez quando viu um fantasma.

Dona Florinda: O que?

Bruxa do 71: Morreu de susto. Eu acho que o melhor é aceitar isso como a coisa mais natural do mundo.

 

Ela pega a mão de Dona Florinda, mas quando vai pegar a do Seu madruga ele hesita.

 

Bruxa do 71: Me dê sua mão.

Seu Madruga: Eu sou casado. Digo... Eu sou viúvo.  

Bruxa do 71: Eu estou pedindo a sua mão para estabelecer uma corrente.

Seu Madruga: só espero que não queimem nossos fusíveis. 

Bruxa do 71: Silêncio. Silêncio. Eu preciso de silêncio pra ver se é possível a comunicação com os mortos.

 

Embaixo da mesa, Chaves faz cara de assustado.

 

Dona Florinda: Realmente a senhora crê que seja possível se comunicar com almas de outro mundo. 

Bruxa do 71: Mas é claro. E elas se comunicam por meio de pancadas.

Seu Madruga: Uh! Pra mim já bastam as pancadas que a Dona Florinda me dá. 

Bruxa do 71: Não estou falando de pancadas de bater, mas no som de pancadas. Uma pancada (bate uma vez na mesa para exemplificar) quer dizer "sim". Duas pancadas (bate duas vezes na mesa) quer dizer "não".

Dona Florinda: E quando a senhora começa a escutar?

Bruxa do 71: Quando eu conseguir me concentrar... Silêncio. Silêncio. Me sinto penetrar no aposento do mun....

Seu Madruga: É no fundo a direita.

Dona Florinda: Cale a boca! Não interrompa.

Bruxa do 71: Seres de outro mundo, quero saber se aqui há algum morto? Se há aqui algum espírito, me responda.

 

Na cozinha Quico começa a passar mal de tanto medo e dá uma cabeçada na porta. Todos pensam que foi uma resposta dos espíritos.

 

 

Dona Florinda: Sim. Disseram que tem.

Seu Madruga: Não, eu não acredito.

Dona Florinda: Sim, homem. Você não ouviu que uma pancada quer dizer sim e duas pancadas querem dizer não.

Seu Madruga: Não precisa me dizer. Já haviam me dito. Ou acha que sou idiota?

 

Quico dá uma nova cabeçada na porta.

 

Dona Florinda: Os espíritos acham que sim.

Seu Madruga: É mentira, eu sou uma pessoa inteligente.

 

Quico dá duas cabeçadas na porta. Quico grita:

 

Quico: Mamãe.

Dona Florinda: É a voz do Quico.

Seu Madruga: Ele já morreu?

Dona Florinda: Não.

Bruxa do 71: Silêncio. Silêncio. Isso nós poderemos averiguar agora mesmo. Se há algum defunto nessa residência que se manifeste de corpo presente.

 

Chaves (que está embaixo da mesa) se assusta e começa a puxar a toalha.

 

Dona Florida (espantada): Olha a toalha, está se movendo.

Bruxa do 71: Isso é uma coisa muito comum. Não estranhem se a mesa começar a se agitar.

 

Chaves começa a se mexer e a mesa começa a tremer. Dona Florinda e Seu Madruga fazem cara de espanto enquanto a Bruxa do 71 continua concentrada. Quico abre a porta da cozinha e vai para sala sem ser notado. Ele coloca a mão no ombro do Seu Madruga que quase morre de susto.

 

Seu madruga (gritando): Mamãe!

 

Todos saem correndo apavorados da casa do Seu Madruga. Chaves fica tremendo embaixo da mesa.

 

 

 

 

Cena 7

 

No outro dia, todos estão conversando no pátio. Chaves segura os pratos.

 

Chaves: Eu não sabia que os pratos eram do Seu madruga.

Seu Madruga: Eu também não sabia que era sonâmbulo.

Dona Florinda: Pois eu lhe disse, mas o senhor não me deu atenção.

Bruxa do 71: Pois eu também lhe disse.

Seu Madruga: Então porque a senhora insistiu tanto em acusar os espíritos zombeteiros?

Bruxa do 71: Foi bobagem. Porem eu já me convenci de que isso não é verdade. E que somente as pessoas ignorantes podem acreditar em mortos que aparecem ou em coisas semelhantes.

Seu Madruga: Pois ainda bem.

Chaves: Seu Madruga, seus pratos (ele oferece os pratos ao Seu Madruga, mas acaba ficando com eles, pois  Quico o interrompe).

Quico: Seu Madruga, seu chapéu.

 

Seu Madruga veste o chapéu e toma um banho de farinha.

 

Chaves: Isso é caspa?

 

Seu Madruga dá uma cacetada em Chaves que deixa cair todos os pratos.

É o fim do episódio.

 

 


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