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Entrevistas |
Carlos Villagran
(Quico)
Em
Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Turnê do "Circo del Sol".
Repórter: Carlos ou
Quico?
Carlos: Arnold Swartchzeneger.
Repórter: Sou do programa... (comenta o
repórter da televisão).
Carlos: E o que me importa?... Não, é brincadeira, continue por
favor!
Repórter: Há quanto tempo não passava pela
Bolívia?
Carlos: Há onze anos que estive aqui e tinha muita vontade de voltar.
Repórter: Por que Chaves ainda continua com
tanto êxito em todo o mundo?
Carlos: O que mais agrada o público de hoje é o humor sadio,
comparando com a violência dos jogos de videogame. Chaves não tinha sexo nem
violência e tampouco era moralista. Oferecia uma realidade levada ao
exagero, até o humor: Chaves vive em um barril, Quico não tem pai porque
este teve um acidente e descansa em pança porque foi comido por um
tubarão...
Repórter: No começo, Chaves não era um programa
para crianças...
Carlos: Não, e nem sequer era uma série. Começou com um esquete onde
fazíamos papéis de crianças.
Repórter: Comparando com Chaves, Quico
representava um mimado filhinho da mamãe.
Carlos: Sim, mas Quico não era mal. Era por influência da sua mãe,
Dona Florinda. Por um lado ele grita "gentalha, gentalha" mas por outro ele
brinca com todas as crianças. É um morador da vila querido.
Repórter: E as bochechas? Você coloca alguma
coisa para que elas fiquem inchadas?
Carlos: Não, não. Vieram com um defeito de fábrica mesmo. Outros
tentam fazer isso, como esse Marlon Brando, mas não conseguem.
Repórter: Há algumas semanas, Maria Antonieta
de las Nieves (Chiquinha) obteve um ganho de causa que lhe permite usar o
personagem sem ter que pagar direitos a Chespirito? O que você acha disso?
Carlos: É como se Cantinflas (um famoso comediante mexicano) fizesse
um filme e dissesse que todos os personagens lhe pertenciam. Nós fomos
adicionando muitos ingredientes aos personagens: isto que faço (emite um som
típico do Quico) não pode ser dele (Chespirito), eu faço isso desde criança.
A roupa do Quico era a que eu usava antes mesmo da série. Eu sou muito grato
a Chespirito, mas ele não se dá conta de muitas coisas.
Repórter: Que relação você mantém com Roberto
Gomez Bolaños, o Chespirito?
Carlos: Com Bola de Años... perdão, com Bolaños não há relação, nem
para bem nem para mal.
Repórter: O que você diria se o visse na sua
frente?
Carlos: Obrigado. Não diria mais nada. Digo verdade quando falo que
Quico é meu. Estive com ele em sua homenagem, lhe dei um beijo e meus
cumprimentos. Quando lhe cumprimentei, os maiores aplausos foram para Quico.
Quando transmitiram o evento, editaram essa parte. A coletiva que Bolaños e
Maria Antonieta deram a imprensa não me convidaram. Antes éramos uma
família, nos queríamos muito. Os programas eram da memória. Sabíamos sempre
o que dizer, no tempo certo e na câmera certa. Estou um pouco decepcionado
por isso. Os grandes grupos sempre tomam como exemplo os Beatles: por algum
motivo se acabam. O egoísmo, a ambição profissional, o pior que temos dentro
de cada um sempre se aflora.
Repórter: Como aconteceu o fim do grupo?
Carlos: Depois da série fizemos turnês em grupo. Acontece que 70% das
perguntas da imprensa eram para o Quico. É por isso que me sacaram do
programa. Em solidariedade a mim, Ramón Valdés saiu do programa e ele era o
principal do programa. Sem ele, quem a Bruxa do 71 iria amar? Dona Florinda
ficava em filho e sem ter em quem bater, Chiquinha ficava órfã, Chaves sem
protetor... aí tudo se acabou.
Repórter: O que prefere: televisão, teatro ou
circo?
Carlos: O bom do circo é estar perto do público. Nesta turnê com o
"Circo do Sol", às vezes estico a mão e saúdo ao avô, que era jovem na época
do Chaves; ao pai, que era criança, e ao bebê.
Repórter: Custa ser criança aos 62 anos?
Carlos: Tenho que me cuidar, não engordar, seguir jovem. Meu pior
inimigo é o Quico de antigamente, porque enquanto o ator envelhece, o
personagem continua entre seus oito e dez anos.
Repórter: O que fará quando se aposentar?
Carlos: Algum dia isto terá que acontecer. Eu gostaria de escrever e
dirigir cinema e televisão. Se eu fizesse um balanço da minha vida, eu
ficaria devendo.
Entrevista enviada por Katia
Stryzak, de Buenos Aires.
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