de 2010

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Entrevistas

 

Carlos Villagran

(Quico)

 

Em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Turnê do "Circo del Sol".

 

Repórter: Carlos ou Quico?
Carlos: Arnold Swartchzeneger.

Repórter: Sou do programa... (comenta o repórter da televisão).
Carlos: E o que me importa?... Não, é brincadeira, continue por favor!

Repórter: Há quanto tempo não passava pela Bolívia?
Carlos: Há onze anos que estive aqui e tinha muita vontade de voltar.

Repórter: Por que Chaves ainda continua com tanto êxito em todo o mundo?
Carlos: O que mais agrada o público de hoje é o humor sadio, comparando com a violência dos jogos de videogame. Chaves não tinha sexo nem violência e tampouco era moralista. Oferecia uma realidade levada ao exagero, até o humor: Chaves vive em um barril, Quico não tem pai porque este teve um acidente e descansa em pança porque foi comido por um tubarão...

Repórter: No começo, Chaves não era um programa para crianças...
Carlos: Não, e nem sequer era uma série. Começou com um esquete onde fazíamos papéis de crianças.

Repórter: Comparando com Chaves, Quico representava um mimado filhinho da mamãe.
Carlos: Sim, mas Quico não era mal. Era por influência da sua mãe, Dona Florinda. Por um lado ele grita "gentalha, gentalha" mas por outro ele brinca com todas as crianças. É um morador da vila querido.

Repórter: E as bochechas? Você coloca alguma coisa para que elas fiquem inchadas?
Carlos: Não, não. Vieram com um defeito de fábrica mesmo. Outros tentam fazer isso, como esse Marlon Brando, mas não conseguem.

Repórter: Há algumas semanas, Maria Antonieta de las Nieves (Chiquinha) obteve um ganho de causa que lhe permite usar o personagem sem ter que pagar direitos a Chespirito? O que você acha disso?
Carlos: É como se Cantinflas (um famoso comediante mexicano) fizesse um filme e dissesse que todos os personagens lhe pertenciam. Nós fomos adicionando muitos ingredientes aos personagens: isto que faço (emite um som típico do Quico) não pode ser dele (Chespirito), eu faço isso desde criança. A roupa do Quico era a que eu usava antes mesmo da série. Eu sou muito grato a Chespirito, mas ele não se dá conta de muitas coisas.

Repórter: Que relação você mantém com Roberto Gomez Bolaños, o Chespirito?
Carlos: Com Bola de Años... perdão, com Bolaños não há relação, nem para bem nem para mal.

Repórter: O que você diria se o visse na sua frente?
Carlos: Obrigado. Não diria mais nada. Digo verdade quando falo que Quico é meu. Estive com ele em sua homenagem, lhe dei um beijo e meus cumprimentos. Quando lhe cumprimentei, os maiores aplausos foram para Quico. Quando transmitiram o evento, editaram essa parte. A coletiva que Bolaños e Maria Antonieta deram a imprensa não me convidaram. Antes éramos uma família, nos queríamos muito. Os programas eram da memória. Sabíamos sempre o que dizer, no tempo certo e na câmera certa. Estou um pouco decepcionado por isso. Os grandes grupos sempre tomam como exemplo os Beatles: por algum motivo se acabam. O egoísmo, a ambição profissional, o pior que temos dentro de cada um sempre se aflora.

Repórter: Como aconteceu o fim do grupo?
Carlos: Depois da série fizemos turnês em grupo. Acontece que 70% das perguntas da imprensa eram para o Quico. É por isso que me sacaram do programa. Em solidariedade a mim, Ramón Valdés saiu do programa e ele era o principal do programa. Sem ele, quem a Bruxa do 71 iria amar? Dona Florinda ficava em filho e sem ter em quem bater, Chiquinha ficava órfã, Chaves sem protetor... aí tudo se acabou.

Repórter: O que prefere: televisão, teatro ou circo?
Carlos: O bom do circo é estar perto do público. Nesta turnê com o "Circo do Sol", às vezes estico a mão e saúdo ao avô, que era jovem na época do Chaves; ao pai, que era criança, e ao bebê.

Repórter: Custa ser criança aos 62 anos?
Carlos: Tenho que me cuidar, não engordar, seguir jovem. Meu pior inimigo é o Quico de antigamente, porque enquanto o ator envelhece, o personagem continua entre seus oito e dez anos.

Repórter: O que fará quando se aposentar?
Carlos: Algum dia isto terá que acontecer. Eu gostaria de escrever e dirigir cinema e televisão. Se eu fizesse um balanço da minha vida, eu ficaria devendo.

 

Entrevista enviada por Katia Stryzak, de Buenos Aires.

 


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