de 2010

Você está em:

Entrevistas

 

Gabi Gastaldi

(filha de Marcelo Gastaldi, dublador do Chaves)

 

Mateus: Hoje estaremos entrevistando a minha querida amiga Gabi Gastaldi, filha do saudoso dublador e ator Marcelo Gastaldi. Boa noite, Gabi.

 

Gabi: Boa noite, e obrigada pelo querida!

 

Mateus: Primeiro, vamos aos dados da entrevistada: nome, idade, sexo, cidade natal, data de nascimento e de falecimento, numero do soutien, CPF, RG, comida preferida, cor preferida, estilo musical, e ai, calo-me, calo-me, calo-me senão eu me deixo loooooooouco!

 

Gabi: Bom, meu nome é Gabriela Ribeiro Gastaldi, tenho 16 anos, sou de SP. Comida preferida? Pôxa, complicado, porque são muitas, como muito! Agora estilo musical é um pouco menos complicado, acho que gosto das coisas que são bem feitas não importa muito o estilo. O resto da pergunta eu prefiro não responder (risos).

 

Mateus: Você tem ou tinha o costume de assistir Chaves, Chapolin, e os outros programas?

 

Gabi: Eu assistia antes com maior freqüência, agora é raro. Parei de ver sem motivos, acho que apaguei um pouco o Chaves da minha vida por um tempo.

 

Mateus: Algum motivo especial? Acha que pode ser pela repetitividade um pouco excessiva dos episódios? Ou motivos particulares mesmo, independentes do seriado?

 

Gabi: Não, acho que nenhum dos dois! Sempre gostei de Chaves e tal, simplesmente parei de ver.

 

Mateus: Além de assistir os programas, já se interessou em outras coisas sobre as séries, como sites, eventos, fóruns, produtos ou alguma coisa assim?

 

Gabi: Já me interessei sim, mas na maioria das vezes eu ia atrás de informações do meu pai em alguns sites. Eu me lembro da primeira vez que busquei alguma coisa na Internet e fiquei surpresa com a quantidade de sites que falavam de Chaves e do meu pai. Foi aí que comecei a perceber que realmente tinha gente que considerava o Chaves mais que um programa qualquer, que era algo especial na vida delas.

 

Mateus: E seus irmãos? Como eles lidam com o programa?

 

Gabi: Acho que quase da mesma forma. Todo mundo aqui tem um carinho especial pelo programa, mas acho que nunca tivemos noção de sua importância e repercussão.

 

Mateus: E não é surpreendente saber que o Marcelo Gastaldi ficou tão famoso e reconhecido dentre os fãs, sabendo-se que no nosso país a dublagem não é tão valorizada e reconhecida?

 

Gabi: Muito. Tenho um enorme orgulho de tudo isso, porque é sinal que ele fez um bom trabalho. É normal não haver valorização da dublagem, mas acho que ele fez tudo com tanto carinho que acabou dando em anos de reconhecimento.

 

Mateus: Qual a reação das pessoas quando descobrem que você é filha do dublador do Chaves, do Chapolin ou do Charlie Brown, por exemplo?

 

Gabi: (risos) É sempre a mesma: “Sério?? Posso ligar na sua casa pra ouvir a voz dele?” (quando não sabem que ele já morreu). É divertido, mas poucas pessoas sabem quem era meu pai. Nunca tive o costume de falar isso do nada, somente quando surge oportunidade!

 

Mateus: E você não fica triste ou com raiva com essa confusão das pessoas?

 

Gabi: Não, acho super normal. Só acho péssima a parte em que conto que ele já morreu, porque geralmente as pessoas ficam constrangidas por isso e pedem mil desculpas.

 

Mateus: Bem, o Marcelo veio a falecer quando você tinha 5 anos, certo? Você tem alguma lembrança do seu pai, ou de algum momento com ele?

 

Gabi: Na verdade quando eu tinha 6. Ainda tenho algumas lembranças, me lembro dele sempre alegre fazendo um churrasco e ouvindo Beatles! Tudo que sei sobre meu pai me leva a acreditar que ele foi a pessoa que um dia eu quero ser.

 

Mateus: Como você lida com as perguntas das pessoas, e com o assédio, se ele existir? Você não se incomoda com o fato das pessoas chegarem até você e ficarem te fazendo milhares de perguntas sobre o seu pai (assim como eu estou fazendo agora)?

 

Gabi: Bom, a gente nunca lidou com ele de fato até o dia do FBV (evento sobre Chaves realizado em SP em 2005). Acredita que um menino chorou no meu ombro por uns bons 10 minutos depois de ter visto a homenagem feita pro meu pai? (risos) Pra mim isso é novo, e é divertido! E eu adoro falar sobre ele, principalmente porque fiquei muito tempo sem falar sobre tudo isso!

 

Mateus: Já que adora, posso fazer mais umas 30 perguntas?

 

Gabi: (risos) Fique à vontade.

 

Mateus: Mesmo não acompanhando a série diariamente, você tem conhecimento do destrato do SBT com as séries? Como você avalia tudo isso?

 

Gabi: Tenho, não muito. Muito chato tudo isso, as coisas poderiam ser feitas de uma forma bem melhor. Acho que as séries dão uns bons pontos de audiência e são muito boas para eles destratarem dessa maneira. Mas nunca levei muito a sério nada que viesse da TV, por isso já não me surpreendo com mais nada.

 

Mateus: Mas porque você acha que Chaves se mantém com este sucesso até hoje?

 

Gabi: Acho que é porque ele é muito simples, seu humor é muito simples. Todo mundo resgata a ingenuidade quando vê Chaves, tudo mundo precisa às vezes de um pouco dessas coisas puras pra suportar o mundo que não é nada puro!

 

Mateus: O que você acha que teria sido diferente na sua vida se o seu pai ainda estivesse presente?

 

Gabi: Nossa, eu sempre faço essa mesma pergunta. Bom, acho que muitas coisas poderiam ser diferentes, tantas que não iriam caber aqui. A morte do meu pai, por mais dolorosa me fez provar o gosto da vida, sabe. Mas é exatamente isso, acho que se ele ainda estivesse por aqui eu não seria a mesma, eu poderia aprender muito com o meu pai, mas não da mesma forma que aprendi com a ausência dele!

 

Mateus: Você pensa ou já pensou em seguir os passos do pai, seja no ramo de atuação ou de dublagem?

 

Gabi: Sim, quando eu era menor eu dublava algumas coisas. E fazia esses tipos de trabalho. Depois de um tempo parei totalmente, mas agora levo isso mais a sério, tenho uma enorme vontade de sair cantando por aí, montar uma banda... mas nunca pensei na dublagem exatamente.

 

Mateus: Conte-nos mais sobre isso da banda.

 

Gabi: Ah, é complicado, não consigo achar gente pra montá-la; é difícil achar alguém bacana e com o mesmo gosto musical, mas tô indo à procura!

 

Mateus: A sua família ainda mantém contato com algum dos colegas de dublagem do seu pai? Vocês formaram alguma amizade?

 

Gabi: Bom, minha família sempre teve um contato maior com a Cecília, ela sempre ia pra praia com a gente (bons tempos). Mas depois a gente perdeu o contato, mas ela sempre foi a mais próxima.

 

Mateus: Como vocês da família se sentem ao ver outra pessoa dublando o Chaves, como o Cassiano Ricardo e agora o Tatá Guarnieri?

 

Gabi: É estranho, mesmo o trabalho sendo ou não bem feito. Mas a gente está acostumado a ouvir Chaves sempre com a mesma voz, mudando ela também se muda a identidade do Chaves.

 

Mateus: Você gostou de ter ido ao Festival da Boa Vizinhança? Qual foi sua impressão sobre o evento? Conheceu algum dos organizadores, ou alguma outra pessoa lá no dia?

 

Gabi: Eu adorei, um tempo antes eu falei com os organizadores pela Internet e depois eles vieram aqui em casa pegar um material, o que resultou numa amizade. Bom, eles fizeram tudo com uma enorme vontade, foi uma pena mesmo o lugar ter sido tão pequeno. Mas quem sabe na próxima vez tudo ocorra de uma forma melhor. Só não gostei da parte que tiraram fotos de mim. Muita vergonha! (risos)

 

Mateus: Bom, para terminar a entrevista, falar um pouco mais de você: quais são seus planos para o futuro? Faculdade, trabalho... Enfim, quais os seus projetos?

 

Gabi: Bom, eu pretendo fazer Faculdade de Jornalismo ou Rádio e TV, e um dia ainda terei uma banda (risos). Sei lá, quero fazer alguma coisa que me dê prazer e me faça crescer como pessoa, acho que é isso.

 

Mateus: Gabi, muitíssimo obrigado pela entrevista. Até a próxima e obrigado pela paciência.

 


« voltar