de 2006

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Coluna do Joly

 


O novo dono da vila

Como a filha de Silvio Santos pode se tornar uma ameaça para o futuro de Chaves no SBT

 

Recentemente, o SBT anunciou uma nova pessoa no comando da emissora. Calma, Silvio Santos ainda está lá. Mas agora há uma segunda figura, que ganha mais espaço no panteão da casa televisiva do Homem do Baú.

 

Daniela Beyruti, a filha número mais velha de Silvio Santos, terá pela frente a dura missão de levar a emissora paulistana de volta à tradicional vice-liderança (quem não se lembra do famoso slogan “liderança cada vez mais absoluta do segundo lugar”?), perdida pela Record ao longo de 2007 e neste início de ano. A filha do patrão terá uma série de responsabilidades, que vão muito além da programação, envolvendo o relacionamento com as afiliadas pelo país, muitas delas agora ao lado do canal do bispo Edir Macedo.

 

Mas o que tem isso a ver com o mundo chavesmaníaco? A ligação é clara, caro leitor, e você provavelmente sabe do que eu estou falando. Com a missão de renovar ares e retomar o segundo posto no Ibope, Daniela Beyruti certamente terá de mexer em pilares nunca antes mexidos. E todos nós sabemos que o SBT, apesar de todas suas inconstâncias, é campeão em tradicionalismo. Afinal, lá estão alguns dos dinossauros da televisão, a começar pelo próprio dono da emissora (e ainda apresentador).

 

Logicamente que Silvio Santos não corre o risco de sair da programação, mas outros nomes sim. E, acreditem, a minha preocupação não é com a Hebe Camargo, mas sim com o Chaves. Afinal, é um dos seriados que remetem a emissora de Silvio Santos ao passado, por uma série de razões. Chaves ainda era do tempo da TV Studios, ou TVS (primeiro nome do SBT). Quando os episódios de Chespirito foram comprados, em 1984, ele já era antigo. Atravessou gerações e permanece no ar até hoje, tempos de reality show e programas conectados.

 

Entre os corredores do SBT, ainda não devem ter cogitado a possibilidade de, algum dia, tirar Chaves do ar – os números de audiência comprovam que o seriado mexicano ainda consegue a liderança mais de uma vez por semana. A grande ameaça, no entanto, está na imagem envelhecida que o enlatado passa aos telespectadores.

 

Se o SBT planeja mudar sua cara e ter uma nova face para lutar com a Record, livrar-se de um curinga pode ser um mal necessário. Mesmo entre nós, fãs ardorosos, é inegável aceitar a premissa que tudo que começa, um dia termina.

 

Uma possibilidade para a turma da vila seria mudar de canal, claro. A barreira aí, no entanto, seria justamente a intrínseca ligação com o SBT. Vale lembrar que, na última negociação da Televisa com Silvio Santos, a Record desistiu da compra de Chaves. Para os bispos, o programa já estava muito associado à emissora concorrente, sem falar que o fato de ter sido feito há tantos anos ainda traria um ar de velho, algo totalmente oposto ao objetivo da Record na época.

 

Claro, tudo são apenas conjecturas. Ainda não sabemos o que se passará pela cabeça de Daniela Beyruti quando ela olhar a programação diária do SBT. Mas, como sempre, não custa continuar digitalizando o acervo de Chaves e Chapolin enquanto o novo dono da “vila” (careca ou não) não assume.

 


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