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O toque (involuntário) da dublagem Como muito reforçamos no livro Chaves: Foi Sem Querer Querendo?, uma das razões para o sucesso da série é justamente o alto número de reprises no SBT. Com tantas exibições repetidas, durante anos a fio, o telespectador acaba vendo graça até em piadas que não deveriam fazer o menor sentido, e sentem-se mais à vontade com os personagens, quase como se eles fossem da família.
Piadas que não fazem sentido? Sim, elas existem. Na época em que Chaves e Chapolin ainda estavam em trabalho de dublagem na – então – TVS (antigo nome do SBT), havia muita confusão devido ao idioma. A dublagem, ainda que terceirizada, era feita dentro da própria emissora, nos estúdios da Maga (hoje, a Marshmallow). A escolha pelos dubladores beirava o absurdo – Helena Samara, que faz a voz da Bruxa do 71, ou Srta. Clotilde, foi escolhida para fazer da voz da personagem enquanto passava pelos corredores da emissora. Helena lembra, inclusive, que achava que seria apenas uma participação, e só. Jamais imaginou que sua voz seria eternizada na versão brasileira da atriz Angelinez Fernández.
Outro problema que fazia muita parte da equipe de dublagem da Maga era justamente como traduzir as piadas. E muito disso nascia como uma exigência do dono da emissora, Silvio Santos. O “homem do baú” fazia questão que tudo fosse adaptado para a realidade brasileira – o que explica, por exemplo, a razão de Acapulco virar Guarujá e programas ou celebridades locais serem citadas (quem não se lembra de Valentino Guzo ou Pedro de Lara?)
Para driblar alguns desses problemas, a equipe da dublagem corria atrás de livros e tentava adaptar as piadas da melhor forma possível. Apesar do trabalho ter sido feito de maneira incrível pelos profissionais que deram as vozes aos personagens da série, alguns erros passaram. E aqui entra o efeito da reprise para dar o toque brasileiro e único ao seriado.
Talvez o exemplo que mais ilustre a situação acima aconteça no episódio em que Seu Madruga e o Professor Girafales ensinam as crianças a violar tocão, isto é, a tocar violão. Quando Seu Madruga pergunta ao Chaves se ele conhece a batida rancheira, o menino responde: “com limão e vodka?” A piada saiu da mente criativa de Marcelo Gastaldi, que fazia a voz do próprio. Acontece que, no original, não há nenhuma referência à bebidas alcoólicas. Chaves estava, em realidade, se referindo ao metate, uma espécie de pilão usado para fazer alimentos por lá. Porém, a piada errada, de tanto repetida, acabou ganhando graça.
Coisas do mundo de Chaves que só vemos mesmo por lá...
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