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Coluna "Limpando a vila"

 

 

Seu Madruga e Elvis Presley

Em um passado não muito distante, o livro Chaves: Foi Sem Querer Querendo? ainda era apenas um projeto, distante e difícil de ser realizado. Na época, segundo ano da faculdade de jornalismo, Fernando Thuler e eu batíamos as cabeças atrás de entrevistas. Nessa tarefa, ajudaram muitos os professores que habitavam a própria faculdade, muitos deles, nomes importantes no jornalismo nacional.

 

Entre os mestres que falamos, chamou a atenção a entrevista com o jornalista especializado em psicanálise Cláudio Julio Tognolli... Naqueles tempos, tínhamos aula com ele, e vivíamos fascinados com a forma como contava as histórias de jornalismo investigativo, uma de suas especialidades.

 

Além da entrevista prometer muito, Tognolli ainda daria boas aspas para o temido capítulo 5 do TCC - o trecho mais acadêmico da obra. Ali, deveríamos mostrar um pouco do que havíamos aprendido ao longo dos 4 anos de curso.

 

A entrevista rolou numa boa. Semanas depois, foi transcrita e adaptada ao livro. Então tivemos um choque quando nosso orientador, o também jornalista Marcelo Rollemberg, decidiu por cortar 90% das aspas de Tognolli. Segundo Rollemberg, o seu colega havia ido “longe demais” para falar de Chaves.

 

Durante a entrevista, Tognolli desenvolveu uma linha do tempo para dissertar o menino do barril. Chaves, segundo ele, representava um pouco da rebeldia contida em todo o ser humano. Para dar vazão a suas explicações, Tognolli foi até Adão e Eva, em que representava o Fruto Proibido como sendo o antagonismo de Chaves com a sociedade. Um dos nomes que deu ao garoto – o Herói Mendigo – foi até usado como título de um dos capítulos finais.

 

Mas ele não parou por aí. Ele também relacionou a Revolução Industrial e Elvis Presley com o Seu Madruga (!). Calma, caro leitor, a ligação é simples. Assim como o Rei do Rock, Seu Madruga também se caracterizou por ir contra a maré ditada pela sociedade. O pai de Chiquinha era na verdade a resposta dos que iam contra a civilização da Revolução Industrial, o Capitalismo de Marx e os rebolados de The Pelvis – isso, claro, segundo Tognolli.

 

Inútil dizer que, de fato, a maior parte da entrevista do jornalista não entrou no livro. No entanto, ficou para nós, os autores, uma sensação de vazio por não ver o show (literalmente) dado por Tognolli em sua aula-entrevista publicado. Fica aqui, ao menos, uma singela homenagem à viagem (desculpe a rima) de Cláudio Tognolli.

 


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