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A tormenta se avizinha Como Chaves, o filão de todos os tempos do SBT, pode acabar com a emissora de Silvio Santos
Quando falamos do sucesso de Chaves e Chapolin, estamos, na verdade, falando de uma combinação de fatores que foram todos bem-sucedidos. O resultado final, uma série antológica que conquista novas gerações de fãs a cada ano.
Chaves se supera em todos os exponenciais humanos que podemos imaginar. Vence por não ser somente mais uma série de humor, ou uma série infantil. Ao mesclar diferentes públicos-alvos, Chaves conseguiu reunir a fórmula que todo produtor, e toda emissora gostaria de ver em seus programas: qualidade aliada à audiência. Quer mais do que isso?
Infelizmente, sim. A fórmula para o sucesso de um programa de TV não se resume somente aos dois itens acima. Resta uma última fatia, igualmente importante para a sobrevivência de qualquer atração: a venda.
Todo programa veiculado na TV custa caro. Muito caro. E, considerando que nós, telespectadores, não pagamos para assistir TV (ao menos os canais abertos), esses programas têm de obter sua própria sustentação. Aí, vêm os anunciantes, o departamento comercial, e a verba, que tantas a tantas vezes, é diminuída, e acabam com ótimas idéias, muitas delas, que sequer chegaram até nós, o consumidor final.
Chaves enfrenta justamente esse problema. A falta de anunciantes é o maior problema do grande trunfo de Silvio Santos. Ao mesmo tempo em que o homem do baú sabe que pode veicular o menino do barril a qualquer momento e garantir uma média de 8 pontos na audiência, também sabe, primeiro, que os anunciantes não gostam de programas que mudam de horário conforme o sabor do vento, e segundo, programas que geram alguma suspeita.
Sim, caro leitor. Para você e eu, Chaves pode não gerar nenhuma sombra de dúvida. Afinal, foi com ele que crescemos, que aprendemos muito que usamos em nosso dia-a-dia. Como poderia uma obra-prima dessas gerar algum tipo de questão que não seja positiva? Pois gera. Do ponto de vista comercial, Chaves ainda é um grande ponto de interrogação na emissora paulistana. O SBT sabe que, por mais que todos digam que não, a discriminação ainda existe em torno da trupe mexicana. Chaves é visto com maus olhos por anunciantes, por grandes marcas globais, que buscam sempre se associar ao que há de mais moderno. A charada está em como vender um programa que é um sucesso, mas que vive à base de reprises há mais de 20 anos?
Ao longo das décadas, o SBT tornou-se, de certa forma, um refém de Chaves. Sabe que, se tira-lo do ar, como já fez por um breve período em 2003, irá gerar a revolta de milhares de fãs. Mais importante para eles, irão também perder uma audiência cativa, que se prende ao SBT – e de lá pode pular para as séries que sempre estão grudadas ao seriado mexicano. Por outro lado, o grande desafio é como modernizar uma emissora, e ainda assim exibir um programa gravado no México, em sua maioria nos anos 70?
Enquanto o SBT não resolve esse dilema, vê concorrentes diretos subirem importantes e caros degraus, como a TV Record. E, pior ainda, com a certeza de que, caso desistam de Chaves na próxima renovação com a Televisa, irão despertar o interesse desses mesmos concorrentes – que podem se agarrar às séries de Bolaños, e tirar do canal de Silvio seu grande e maior curinga desde os tempos de TVS.
Seria interessante. Silvio Santos veria sua emissora desmoronar aos poucos, mas, ao mesmo tempo, se agarraria com unhas e dentes ao grande e enorme barril que sustenta a viga principal de um canal ameaçado. Quem viver, verá. Sigam-me os bons!
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